Atitude & Saúde

A higiene bucal em tempos de coronavírus

O IMPACTO NEGATIVO QUE O ACÚMULO DE PLACAS PODE CAUSAR NOS INFECTADOS

Segundo estudo do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP), feito em 2019, 45% das doenças cardíacas têm início na cavidade bucal. Entre elas estão a endocardite bacteriana, aterosclerose, arritmia, acidente vascular cerebral (AVC) e até mesmo o infarto.

Esse estudo acende mais um alerta em tempos de pandemia, pois, além dos cuidados amplamente divulgados na prevenção da COVID-19, uma boa higienização bucal, consciente e regular, também se apresenta como uma boa estratégia no combate ao coronavírus.

A placa bacteriana ou biofilme dental, quando acumulado na cavidade oral, dentro de 24 a 48 horas já começa com a proliferação de bactérias, fungos e outros microrganismos que quando em contato com a corrente sanguínea, podem contribuir para o surgimento de alterações cardíacas.

Vamos refletir!

Se há uma pandemia global em que o vírus acomete com alta severidade os pulmões, causando pneumonia grave, uma má higienização bucal, por muito tempo, pode comprometer severamente o coração, deixando a covid-19 uma doença ainda mais violenta.

Além de tratar da saúde física e mental, ter um bom sono, dieta equilibrada, exercícios físicos, e isolamento social, é hora de olhar para a sua saúde bucal!

A SAÚDE BUCAL DE PACIENTES ENTUBADOS PELO CORONAVÍRUS

Na atual conjuntura da saúde mundial tempos que divulgar conteúdo relevante. A odontologia hospitalar já tem ciência de que o acúmulo do biofilme em pacientes – já diagnosticados com a covid-19 -em CTI’s, em estágio de intubação, por ventilação mecânica, pode causar um quadro de pneumonia mais agressiva, a pneumonia nasocominal.

A pneumonia nosocomial, em especial quando associada à ventilação mecânica e a imunidade baixa, é uma infecção frequente nas CTIs. Suas principais causas, incluem bactérias colonizadoras e oportunistas da cavidade oral.

Desta forma, baseada em evidências, esta patologia é muito frequente em leitos hospitalares, onde a falta de higiene oral em pacientes internados permite o acúmulo da placa bacteriana nos tubos artificiais (tubos que vão da boca ou nariz ao pulmão para levar oxigênio).

Não importa quantos dentes o paciente possui ou se ele é desdentado total, o que não podemos esquecer é que a placa bacteriana acumulada aparece devido à falta de higienização em um determinado tempo, formando uma colônia de microrganismos

Podemos concluir, de forma preocupada, que pacientes entubados, sem uma higienização oral eficiente no hospital, podem ter bactérias vindas da cavidade oral, que associadas ao vírus responsável pela COVIDE-19, apresentariam um efeito devastador no sistema respiratório do paciente.

É importante entendermos que, em condições normais, a placa bacteriana é removida através da escovação dental da mucosa oral e das próteses (fixas ou removíveis), uso do fio ou fita dental e, se necessário, um anti séptico ou enxaguante bucal.

Para pacientes entubados, é fundamental a presença do cirurgião-dentista junto a equipe hospitalar, para orientar, coordenar e realizar ações direcionadas para o controle da saúde bucal do paciente. O profissional irá atuar e intervir preventivamente, com o objetivo de impedir o acúmulo da placa bacteriana nos tubos, deixando assim, o quadro do paciente com uma complexidade menor.

UM ACOMPANHAMENTO QUE PODE FAZER A DIFERENÇA

O acompanhamento da saúde bucal desses pacientes nos CTI’s não pode ser ignorado. Como sabemos, o hospital é ambiente passível de muita contaminação cruzada devido à variedade de microrganismos patógenos existentes.

Não podemos nos esquecer de outros grupos que também demandam atenção: os pacientes especiais (PCD) e os acamados. A higienização bucal destes grupos, que são também considerados de risco, é fundamental neste momento.

Desafio você leitor, a fazer uma busca sobre pneumonia nasocominal e avaliar como essa doença é perigosa!

Com um sorriso no rosto e medidas preventivas de higiene oral, vamos ter esperanças e combater o acúmulo da placa bacteriana!

Abrace essa causa.

Cristiano Trindade – Dentista

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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