Atitude & Saúde

A Medicina de Hipócrates ao SUS

Podemos dividir a história da medicina em três grandes épocas. A primeira fase pode ser datada no Egito, passando pela Grécia de Hipócrates, 400 A.C. Esta foi a era da medicina anatômica e que se estendeu até o século XVII. Neste período, os médicos eram grandes anatomistas e dedicavam parte de seu ofício a dissecar cadáveres, produzindo então os compêndios de morfologia. As doenças eram pouco entendidas, as funções bioquímicas da vida e os micróbios desconhecidos.

O microscópio e a segunda fase da medicina

A invenção do microscópio, entre os séculos XVI e XVII (Zacarias Jansen, 1590 e Antony van Leeuwenhock, 1677). Desde os tempos mais remotos, já era sabido que certas doenças passavam de uma pessoa para outra através da transmissão de agentes invisíveis. Com o microscópio, os micróbios foram descobertos dando início à segunda fase a medicina microbiológica, que floresceu sepultando as teorias hipocráticas dos miasmas telúricos. Paralelamente, a bioquímica brotava com força pujante identificando e decifrando as reações orgânicas essenciais à manutenção da vida.

O raios-x e a terceira fase

Os raios-x foram descobertos no final do século XIX, em 1895, por Wilhelm Conrad Rötgen, trazendo um novo horizonte para a prática médica. Outras ferramentas como o estetoscópio e endoscópios ópticos rígidos (otoscópio, laringoscópio, etc.) já eram conhecidas e permitiram o exame anatômico das superfícies e cavidades naturais. A partir daí, foi possível ver e analisar o que se passava dentro do corpo humano sem precisar dissecá-lo em pedaços. Temos aí o início do terceiro período da medicina ou era dos diagnósticos por imagem. Na metade do século XX, surgem outros grandes avanços no aparelhamento da semiologia com o advento da tomografia computadorizada, a ressonância magnética, a cintilografia, a endoscopia de fibra óptica flexível, o ultrassom e o refinamento de análises bioquímicas e citológicas.

O avanço tecnológico e o custo da saúde pública

Quase ao mesmo tempo do início do uso de todos estes recursos, surgiu um grande impasse. A facilidade e disponibilidade destes exames propedêuticos encareceram de maneira exponencial a assistência médica, criando um entrave para a saúde pública. O SUS depois da sua criação acresce o que gasta e nunca é o suficiente. Quanto maior a cobertura e abrangência dos serviços oferecidos à população mais recursos são necessários.

Nesta lógica, o custo da saúde pública é um saco sem fundo, quanto mais se facilita o acesso mais caro fica. Isto acontece também nos países ricos. A medicina de diagnóstico praticada em centros desenvolvidos se tornou um negócio bilionário. Porém, se o resultado desta atenção refletiu na queda da mortalidade pelas principais doenças crônicas, os índices de letalidade continuam numa curva ascendente. Ainda o que é pior, com a gratuidade os pacientes se amontoam nas unidades de atendimento e pressionam o médico para pedir exames. A maioria deles tem resultados normais. Uma montanha de dinheiro jogado fora.

Os usuários do SUS e mesmo os médicos não sabem exatamente qual a utilidade dos mais de 500 (quinhentos) tipos diferentes de exames que podem ser realizados no sangue, urina e outros líquidos corporais. Para o leigo, o exame físico e o diagnóstico clínico perderam a credibilidade, se não forem confirmados com um exame complementar.

Paulo Timóteo Fonseca – médico

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.