Atitude & Saúde

A odontologia e o transplante de medula óssea

Crédito: Pixabay

As alterações bucais encontradas em pacientes com transplante de medula óssea devem ser tratadas com grande eficiência e domínio do Cirurgião Dentista, devido as consequências que podem potencializar o quadro sistêmico do paciente.

Devido a sua morbidade, a doença periodontal avançada é considerada uma infecção crônica que potencialmente pode provocar sepse grave durante períodos de neutropenia – baixos índices de um tipo de glóbulo branco no sangue.

A doença periodontal avançada constitui um fator de alerta para o paciente em transplante de medula óssea. A instalação e a progressão da doença periodontal envolvem um conjunto de eventos imunopatológicos e inflamatórios, com a participação dos fatores modificadores locais, sistêmicos, ambientais e genéticos.

Crianças transplantadas

A literatura evidencia e destaca que as alterações dentárias em crianças submetidas a transplante de medula óssea, são caracterizadas por um aumento do índice de cárie nesses pacientes. O paciente que ainda possui dentes decíduos (“de leite”) ou dentição mista, necessita de um acompanhamento severo até que complete sua dentição permanente.

Outras alterações

A mucosite oral, caracterizada clinicamente por lesões ulcerativas que acometem o vermelhão dos lábios e a mucosa oral, está diretamente relacionada ao regime quimioterápico associado ou não a irradiação corpórea total. É considerada fator de alta morbidade, principalmente pela sintomatologia dolorosa e pelas dificuldades de mastigação e deglutição. Grande parte dos pacientes queixam muito desta alteração.

A modificação do fluxo e da composição salivar acarreta desconforto oral, dor e aumento do risco de cáries e de outras infecções, bem como dificuldades de fala e disfagia. A xerostomia (“boca seca”) é evidente quando a saliva se torna viscosa, pegajosa e escassa em função da alteração de seus componentes.

Infecções virais e fúngicas como por exemplo a Candida albicans, sendo a orofaringe um sítio propício para a sua colonização, é considerada a mais patogênica dentre todas as espécies de Candida e frequentemente está associada a candidíase oral em suas mais variadas formas clínicas.

As infecções da família dos herpesvírus nos tecidos bucais são um achado rotineiro em pacientes submetidos a transplante de medula óssea.

Assim, podemos constatar a relevância de como essas complicações orais afetam diretamente no processo imunológico dos pacientes transplantados de medula óssea, afetando o planejamento médico proposto e comprometendo a qualidade de vida.

Acompanhamento multidisciplinar

Diante dessas evidências, é de grande importância a participação do cirurgião-dentista acompanhando o paciente desde o diagnóstico até por 2 anos (no mínimo), após a tratamento finalizado.

Se houver necessidade de intervenção, as equipes multidisciplinares devem entrar em contato e solicitar o atendimento ao paciente, caso o hospital não tenha o Cirurgião Dentista em sua equipe.

Com o avanço tecnológico, o laser terapêutico tem sido uma grande utilidade no tratamento odontológico. Materiais odontológicos preventivos também têm sua utilidade no controle cariogênico.

Veja a importância do Dentista!

Faça sua parte também, seja um doador de medula óssea.


Por, Cristiano Trindade, Cirurgião – Dentista.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.