Atitude & Saúde

Baixa ingestão de calorias: seria essa a fonte da juventude?

Crédito: Pixabay

Perdeu-se na história da cultura humana o registro do primeiro ensinamento sobre como manter a juventude eterna e a saúde inquebrantável.

Ainda hoje, não sabemos dizer quando o envelhecimento começa e as opiniões se dividem entre a que começamos a envelhecer no dia em que nascemos e a outra, que só começamos a envelhecer quando chegamos à maturidade, lá pelos 35 anos.

A manutenção da vida é um contínuo processo de constante remodelagem e adaptação. Nosso corpo está a todo tempo renovando as suas células e reagindo contra elementos externos agressores.

Para definir de forma simplificada o envelhecimento começa quando estes mecanismos de defesa e renovação não são eficazes.

Assim, qualquer que seja a sua opinião, a questão continuará sedo a mesma: o que se pode fazer para manter o viço da juventude e impedir o inexorável decurso do envelhecimento?

Se é que ela existe, onde poderemos encontrar a fonte da juventude?

Desde os primórdios do século passado, conta-se que, em algum lugar do Oriente, existiu o reinado do lendário Prestes João.

Com os seus 562 anos morava num castelo de cristal revestido de pedras preciosas. Dormia sobre um leito de safiras, com trajes fabricados com a mais fina lã de salamandra, purificado ao fogo.

O seu país desconhecia a pobreza e o vício. Na terra fértil não brotavam ervas daninhas, não havia escorpiões ou serpentes. Os soldados de sua guarda cavalgavam pelo céu sobre dragões selados e, no seu reino, a Fonte da Juventude era acessível a todos.

Prestes João era considerado o chefe dos estonianos, uma primitiva seita cristã e descendente de um dos três reis magos que visitaram o menino Jesus.

Podemos citar Marco Polo, entre outros nomes de exploradores famosos, que, em vão, vasculhou terras e mares orientais à procura deste reino.

Um poema inglês do século XVII localizava a Fonte da Juventude a oeste da Espanha, na região de Cockgaine, enquanto outro publicado na França, descreveu as ruas de uma ilha paradisíaca onde ela se erguia.

Sinais do tempo

São incontáveis e datam dos mais remotos tempos da medicina as prescrições de elixires para tentar interromper a marcha do envelhecimento. As rugas ou o aparecimento de pigmentação progressiva na pele são marcas que denunciam os anos vividos.

A calvície, a profundidade dos olhos, o aparecimento do arco senil e a progressiva perda dos sentidos são alguns dos parâmetros que podem ser avaliados para medir o grau da senilidade.

O sonho de viver eternamente ou de pelo menos manter o vigor físico e o frescor da juventude até a idade avançada é tão antigo quanto o homem.

O envelhecimento x a ingestão calórica

Desde 1941, quando foram anunciados os estudos de M.C. McCay, sabemos que a longevidade está diretamente relacionada com uma dieta pobre em calorias.

Estas observações foram confirmadas posteriormente e publicadas por pesquisadores norte-americanos em 1976.

Pouco se pode acrescentar a estes conhecimentos com relação nossa atitude no sentido de atingir a senilidade, exceto no que diz respeito aos outros hábitos de vida sabidamente prejudiciais à nossa saúde.

Mas isto não quer dizer que o aparecimento dos sinais da senectude deixará de acontecer ou que o envelhecimento será retardado.

Estas pesquisas mostraram apenas que uma dieta de poucas calorias pode possibilitar uma vida mais longa, afastando o risco de muitas doenças.

Esta última experiência citada foi realizada com dois grupos de roedores de aproximadamente seis semanas de vida.

O primeiro grupo foi observado vivendo num regime de total liberdade para a ingestão de alimentos e o outro num regime constante de 40% de restrição de calorias.

Analisando os resultados, observou-se que os animais que tinham total acesso ao alimento alcançavam uma duração de vida média de 24 meses e no máximo de três anos.

Para a grande surpresa de todos os cientistas que trabalharam nesta pesquisa, os animais que foram submetidos a uma restrição alimentar de 40%, o tempo de vida média subiu dois anos e chegavam a viver até 50 meses.

Se extrapolarmos estes resultados, comparando-os com a nossa probabilidade de vida, seria possível atingirmos 180 anos de idade.

E você, como anda a sua ingestão de calorias?

Paulo Timóteo Fonseca – Médico

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.