Atitude & Saúde

Calor: nosso corpo e sua adaptabilidade

Crédito: Pixavay

Que calor!! Médias de temperatura batem recordes históricos em Belo Horizonte. O calor nos convida a sair e procurar locais mais abertos e ventilados. Que tal praças e clubes? Mas temos a pandemia. Nas praças não encontramos as medidas de proteção adequadas. Nos clubes, apesar de protocolos higiênicos detalhados temos a restrição do número de pessoas, inclusive dentro das piscinas. Para onde ir?

A sensação de calor é desagradável e tende a piorar quando vier a estação das chuvas que as cigarras já anunciam. A umidade do ar vai aumentar, o que torna a sensação de calor maior ainda; é quando sentimos o corpo “preguento”. Mas não se desespere. No início da estação quente o desconforto é maior, mas tende a diminuir com a adaptação do corpo ao calor.

Termômetro corporal

Tendemos a manter a temperatura interna a 36 graus Celsius. No inverno, o sangue um pouco mais frio estimula o hipotálamo (pequena estrutura no cérebro) a contrair os vasos de sangue na pele para manter o calor no centro do corpo, deixando mãos e pés mais frios.

Agora no calor, o sangue mais quente estimula o hipotálamo a enviar mais sangue para a periferia do corpo para resfriar a pele. Veja como sua aliança ou anel ficam mais apertados quando você está correndo ou caminhando em dia quente.

Por que suamos?

Caso a temperatura interna não reduza com a dilatação dos vasos de sangue na pele, o hipotálamo também estimula a sudorese. Não é a produção de suor que esfria a pele, mas a evaporação dele. A passagem da água na pele para o estado gasoso tira o calor, esfriando a pele, que esfria o sangue, que esfria o centro do corpo.

Entretanto, quando o a umidade do ar está alta, o suor não evapora com eficiência, ele escorre. Quer dizer, usar uma toalha para enxugar o suor não ajuda em nada, pelo contrário, prejudica. A adaptação ao calor que deve acontecer com o tempo, com a exposição ao ambiente quente é: o início da transpiração mais cedo e produção de maior volume de suor.

Ingestão de água

A transpiração tende a reduzir a quantidade de água no corpo e a concentrar todos os líquidos, inclusive a urina. Assim, quando vemos que a urina está com a coloração mais forte devemos ingerir água.

Há uma recomendação que devemos ingerir 2 litros de água por dia. Me permito discordar. No verão pode ser mais e no inverno deve ser menos água a ser ingerida. Água bebida em excesso pode trazer prejuízo de baixar a concentração de sódio no sangue, fenômeno chamado hiponatremia, que pode conduzir à morte.

Água bebida em pouca quantidade pode reduzir o volume de sudorese conduzindo ao choque térmico, que é a falha do corpo em baixar a temperatura.

Beber quando sentir sede e quando a urina estiver escura é uma boa recomendação. Vamos aproveitar o calor com responsabilidade, respeitando as medidas sanitárias impostas pela pandemia.

João Carlos Dias – PhD em Fisiologia do Exercício

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.