Atitude & Saúde

Herpes Labial: Como esta infecção está associada ao uso da máscara de proteção

Um estudo realizado entre 20 de março e 20 de abril pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, registrou o dobro do aumento dos casos de estresse e ansiedade no Brasil.

A pesquisa também cita que as mulheres se encontram mais propensas a sofrer com esse desconforto durante a pandemia.

Os fatores sociais e econômicos têm contribuído diretamente para o “adoecimento mental” e consequentemente o sistema imunológico fica desestabilizado, enfraquecido e infecções de caráter oportunistas podem surgir neste momento, e aí chegamos no herpes simples.

O herpes simples é uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus chamado Herpes simplex virus.

Existem dois tipos de vírus do herpes simples: o tipo 1 e o tipo 2. Geralmente, o tipo 1 é responsável pelos casos de herpes labial, e o tipo 2, pelo herpes genital.

Falaremos aqui, sobre o herpes labial:

Causas e sintomas

O estresse está associado diretamente à imunidade, ou seja, quando o corpo e a mente experimentam sensações estressantes, as defesas do organismo tendem a enfraquecer.

O cortisol, hormônio controlador do estresse, aumenta e o sistema imunológico cai. Com isso, o vírus é ativado e as “feridinhas” no lábio começam a estourar.

Feridas dolorosas são geralmente encontradas nos lábios, mas podem acometer também severamente a gengiva, faringe, língua, céu da boca, interior das bochechas e, às vezes, até a face e o pescoço.

Contágio

A infecção pelo herpes labial se dá através do contato direto com lesões labiais infectadas pelo vírus. Esse primeiro contato se dá, invariavelmente, durante a infância.

A situação mais comum de contágio é aquela em que algum dos pais (ou parentes próximos) é portador do vírus, apresenta as lesões em lábio e de alguma forma entra em contato direto com a pele da criança.

A herpes labial possui uma fase característica que merece muito destaque e atenção: o período é denominado clínico ativo. Caracterizado pelo aparecimento das primeiras pápulas, as quais evoluem rapidamente para vesículas e bolhas cheias de líquido altamente contagioso.

O herpes labial e o uso de máscara de proteção

A manipulação das lesões herpéticas no período clínico ativo tem alto risco de contaminação pela grande quantidade de partículas virais no conteúdo vesicular/bolhoso.

Dessa forma, o conteúdo líquido liberado deve ser limpo quando o rompimento das bolhas acontecerem, pois podem contaminar áreas vizinhas e inclusive a máscara facial utilizada nesta pandemia.

A limpeza das lesões rompidas deve ser realizada com gaze úmida com água filtrada ou soro fisiológico.

Todo o material utilizado deve ser dispensado, embrulhado em sacos plásticos hermeticamente fechados, pois podem contaminar quem manipulá-los imediatamente após seu descarte.

Higienização das Máscaras

Precisamos prestar atenção, principalmente, na higienização, descarte e uso individual das máscaras. Caso uma pessoa esteja na fase ativa de transmissão ou contágio do herpes labial e uma outra pessoa utilizar a máscara contaminada, esta pode adquirir o vírus e despertar os sintomas da doença imediatamente, ou ficar com o vírus incubado, manifestando em outro momento.

Cuidados

As máscaras de pano devem ser limpas diariamente e trocadas em pessoas com herpes labial na fase ativa.

Inicialmente, higienize todos os equipamentos de lavagem, enxágue e secagem com solução de 1 litro de água para 25 ml de água sanitária ou cloro (com concentração de 2% a 2,5%), manuseando com luvas de proteção, por se tratar de um material infecto contagioso.

Deixe de molho em água quente ou fria, por 30 minutos e depois enxágue com água corrente 2 vezes. Acrescente o detergente ou sabão e esfregue usando uma solução de 1 litro de água e enxágue mais duas vezes. Coloque para secar e armazene em local fechado e limpo para reutilização.

As máscaras descartáveis e disponíveis para toda a população nesta pandemia, geralmente utilizadas por profissionais da saúde, devem ser trocadas de 4 em 4 horas em pacientes com herpes labial na fase aguda e descartadas em embalagem plástica fechada neste período.

Em ambos os tipos de máscaras, caso o líquido da bolha ou vesícula tenha um grande volume, ela deve ser descartada e trocada por uma nova.

Inverno

É importante ressaltar que estamos passando pelo inverno pandêmico no Brasil.

Caracterizado por ser seco e frio, e em algumas regiões de frio intenso, o herpes labial pode surgir e rachar os lábios, facilitando o surgimento da infecção.

Por ser uma doença transmissível que não tem cura, o herpes labial ainda não possui um medicamento antiviral capaz de eliminar de vez o vírus do organismo.

No entanto, existem vários medicamentos que podem ajudar a evitar e até tratar mais rapidamente uma crise de sintomas.

Membros da área da saúde como o cirurgião – dentista ou um médico são capazes de diagnosticar, planejar e executar um tratamento efetivo e direcionado ao herpes labial.

Embora a situação do Brasil seja complexa nesta etapa da pandemia, o momento requer equilíbrio mental, boa imunidade, alimentação balanceada e sono restaurador para que possamos sair bem deste cenário.

Se você é portador do herpes labial, ou conhece alguém que possui, esta matéria pode ser de grande relevância! Faça sua parte e compartilhe.

Cristiano Trindade – Cirurgião Dentista

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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