Atitude & Saúde

Menopausa e a odontologia: O que é preciso saber

Crédito: Pixabay

A menopausa não impacta apenas a fase reprodutiva da mulher. Ondas de calor, disfunções sexuais e,em alguns casos, a depressão não são os únicos sintomas.

Alterações orais, na mucosa e dentes, também devem ser tratadas e cuidadas com a devida atenção.

Na parte odontológica, a menopausa relaciona-se a uma série de mudanças, incluindo um maior risco de inflamação, fluxo salivar menor, bem como a alteração de sua composição, além da osteoporose primária que afeta os ossos mandibulares.

A redução do estrogênio, fato que ocorre com a chegada da menopausa, pode estar associada ao aparecimento de retrações gengivais, facilitando a perda de inserção dentária, além de diminuir o conteúdo mineral da maxila e da mandíbula.

Osteoporose e perda óssea

Essa diminuição ocorre devido à queda significativa de cálcio no organismo e pode levar inclusive a perda ou mobilidade do dente.

Devido ao aumento da expectativa de vida no Brasil, o bem-estar das mulheres na menopausa deve ser preservado, e assim, deve haver uma maior preocupação com a saúde oral desse grupo.

A manutenção da harmonia do sorriso e a capacidade mastigatória são fundamentais para a qualidade de vida.

É importante dizer que a osteoporose não causa periodontite, mas pode estar associada a uma progressão mais acelerada deste tipo de infecção.

Devido a menor quantidade de osso ao redor dos dentes para ser reabsorvido, as consequências podem ser o maior número de dentes perdidos e maior perda óssea alveolar.

Os profissionais da saúde e pacientes devem estar cientes de que a prevenção e controle da osteoporose durante e após a menopausa, pode ser benéfica não só para a manutenção da saúde óssea, mas também para a saúde bucal.

Prevenção e tratamento da osteoporose

Existem várias opções disponíveis para a prevenção farmacológica e o tratamento da osteoporose em combinação com o uso de cálcio e vitamina D.

Entre eles os bisfosfonatos, medicamentos aprovados para uso pela ANVISA, que se mostraram muito eficazes.

Além disso, observou-se que o uso de bisfosfonatos em conjunto com a terapia periodontal convencional parece promissor.

No entanto, existem estudos que contrapõe essa teoria, devido aos possíveis efeitos colaterais associados a possibilidade de acontecer uma necrose óssea em cirurgias odontológicas mais invasivas.

Sendo assim, destaca-se o papel da equipe multidisciplinar no apoio à saúde da mulher.

O odontólogo deve encaminhar as pacientes a um médico para orientação sobre a relevância em fazer o tratamento da osteoporose.

Do mesmo modo, os médicos devem se sentir confortáveis em encaminhar as pacientes a um odontólogo para a prevenção e avaliação da condição periodontal.

Ao fazê-lo, o risco de desenvolvimento de osteoporose e doença periodontal grave pode ser minimizado.

Cristiano Trindade – Cirurgião-dentista

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.