Atitude & Saúde

Menopausa: História do tratamento

Você conhece o histórico do tratamento da Menopausa? Embora entre as mulheres não seja corrente o emprego da palavra climatério, ela é conhecida há mais de dois séculos. (De Gardenne CLP, Paris, 1816).

Descoberta dos hormônios sexuais

O tratamento hormonal de climatério parece ser tão antigo quanto a descoberta dos hormônios sexuais. Em 1923, Allen e Doisy, isolaram um hormônio ovariano.

Em 1926, aparece nas farmácias o primeiro estrogênio comercial. O emprego da hormonioterapia com estrogênio, com objetivo de prevenir a tratar as doenças ósseas metabólicas, foi posterior ao uso do hormônio da glândula paratireoide com o mesmo propósito.

O uso de hormônios

Em 1948, aparece a primeira publicação (Albrigth F., Baltimore: Willians and Wilkins) mostrando a importância dos hormônios da paratireoide nas doenças ósseas metabólicas.

Uma década depois, em 1959, assurge na literatura um trabalho sobre os efeitos do uso prolongado de estrogênios na mulher pós menopausa (Wallach S, Journal of American Medical Association).

No entanto, muitos acreditam que a publicação considerada como marco inicial da reposição hormonal no climatério date de 1963 (Western Journal of Surgery Obstetrics and Gynecology, maio). Este artigo escrito por Robert Wilson, R. Brevetti e a sua esposa Thelma Wilson intitulava-se; “Procedimentos específicos para eliminar a menopausa”.

Em 1966, Robert Wilson publicou no Reino Unido seu best-seller, Feminine Forever, dirigido à população leiga. O livro de Robert Wilson passou a ser vendido até em lojas femininas, popularizou-se nos Estados Unidos e depois na Europa, principalmente na Alemanha.

Cerca de 40% da população feminina sabia da existência da reposição estrogênica graças ao livro e à publicidade que recebeu. O impacto causado pelo livro de Wilson repercutiu na comunidade médica científica que ficou influenciada a pesquisar suas ideias. Como resultado deste trabalho, hoje a reposição hormonal é uma prática de valor inquestionável.

Hormonioterapia: mocinha ou vilã?

Se, de um lado, uns médicos embarcaram de cabeça e passaram a prescrever hormônios, outros ficaram irritados pela ampla publicidade leiga e rejeitavam completamente a hormonioterapia.

As dúvidas que havia na metade do século passado sobre a possibilidade de a reposição hormonal produzir câncer já não existem mais. Os benefícios da hormonioterapia, anunciados com tanta ênfase e antes sem comprovação científica, atualmente estão fartamente documentados.

Leia mais sobre a menopausa e o ciclo hormonal feminino.

Paulo Timóteo Fonseca – Médico

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.