Atitude & Saúde

O SUS e os sistemas de saúde norte-americanos

Crédito:Pixabay

Antes da eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos existiam muitas incertezas em relação à assistência médica naquele país.

Ele era do partido contrário ao mandatário da época e, depois de eleito presidente, foi o responsável por sancionar, em 23/03/2010, a lei federal denominada Patient Protection and Affordable Care Act, popularmente conhecida como Obamacare.

De forma resumida, esta lei tem por objetivo controlar os preços dos planos de saúde, bem como expandir os planos de seguros públicos e privados para uma maior parcela da população americana.

Assim, a comunidade médica americana passou a torcer pela derrota da candidata a suceder Obama, pois se sentia ameaçada de ter seus procedimentos fixados a preços mais baixos e com a maior abrangência em relação ao Obamacare.

Os sistemas de saúde norte-americanos

Numa explicação simplificada do complexo sistema de assistência médica norte americano, ele é caracterizado pela participação privada daqueles que pagam suas despesas médicas do próprio bolso ou através de seguros de saúde particulares, subsidiados ou não pelo governo.

Medicare

Entre os mantidos e administrados pelo governo temos o Medicare, criado em 1965. É um programa de seguro social para os americanos com 65 anos ou mais, que tenham trabalhado e pago impostos sobre os salários, pessoas com deficiência,  doença renal terminal e esclerose lateral amiotrófica.

Em 2015, Medicare contava com 50 milhões de americanos com 65 anos ou mais e 9 milhões de mais jovens. Ele cobre a metade dos custos das despesas com saúde dos beneficiários inscritos e o restante é pago em dinheiro por eles mesmos ou através de uma segunda apólice suplementar.

Medicaid

O segundo programa de saúde social norte americano é o Medicaid, destinado aos cidadãos americanos ou pessoas com visto permanente de residência de baixa renda ou mais pobres de todas as idades.

Basicamente, são aqueles que não têm condições financeiras para contratar um seguro de saúde próprio e muito menos pagar do próprio bolso as despesas de um tratamento de saúde.

O Obamacare

Tido como uma grande novidade, o Obamacare é considerado o maior projeto de mudança do sistema de saúde norte americano. Em 2014, mais de 10 milhões de pessoas já estavam inscritas.

De modo geral, o governo influencia as pessoas a se filiarem ao programa que direciona os associados a hospitais, clínicas e médicos que praticam preços mais baixos.

A ideia central é criar uma grande massa de pessoas pagando um seguro mais barato e diluindo o custo da assistência médica.  

O Obamacare tenta implementar um sistema de saúde pública universal, que exige que todos os americanos tenham um plano de saúde, sob pena de multa, podendo optar pelo governamental ou privado.

Neste caso, as seguradoras são ressarcidas pelo Estado pelos serviços de assistência médica que pagam.

As apólices são proibidas de negarem coberturas e de aumentarem o custo para pessoas com doenças pré-existentes.

Muitos americanos entendem esta imposição como uma invasão do governo à privacidade dos cidadãos e que acabará com a assistência gratuita.

O SUS

Do exposto, podem os brasileiros inferir sobre a grandiosidade do Sistema Único de Saúde – SUS criado pela Lei 8080, de 19 de setembro de 1990, com universalidade de acesso aos serviços, integralidade de assistência com provimento total do Estado, em um país cujo Produto Interno Bruto é 8 vezes menor do que o dos Estados Unidos.

Neste modelo a iniciativa privada participa em caráter complementar. Atualmente, 150 milhões de brasileiros dependem e são atendidos pelo SUS, ainda que com muitas dificuldades de gestão e financiamento, mas que avança e se agiganta para orgulho dos que nele trabalham.

A atual pandemia do coronavírus deixou o mundo de joelhos, nenhum sistema de saúde ou país estava preparado para esta avalanche de infectados, o SUS apesar das críticas, mostrou eficiência e competência para salvar vidas.

Paulo Timóteo Fonseca – Médico

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.