Atitude & Saúde

Reposição hormonal na menopausa: vilã ou mocinha?

Crédito: Pixabay

Ainda agora, no terceiro milênio, é possível ouvir pessoas, mesmo médicos, advertindo as mulheres para que não usem hormônios, sob o pretexto de que esta terapia é perigosa e pode resultar num câncer.

É exatamente por esta razão que ainda encontramos tanta resistência ao prescrevê-los.

Menopausa e Climatério

A menopausa é a última menstruação e não os anos vividos depois dela, já o climatério são os anos que precedem e segue imediatamente a menopausa, marcados pelos sinais de deficiência do ovário em produzir hormônios.

Assim, a menopausa é apenas um marco dentro do climatério feminino, tal qual a menarca (primeira menstruação) durante a puberdade.

Terapia hormonal

O dia a dia do consultório do médico que cuida da saúde feminina mostra o quanto as mulheres são carentes de informação ou trazem consigo temores e conhecimentos que fazem parte do passado da medicina.

O folclore popular e os conceitos ultrapassados, arraigados na população feminina e em muitos médicos, criaram um verdadeiro obstáculo à terapia hormonal de reposição durante estes anos.

Há algum tempo, lutamos para mostrar o contrário e mudar a qualidade e duração da vida de muitas mulheres.

Enquanto são incontáveis as publicações mostrando as vantagens deste recurso da medicina atual, não se pode citar um único estudo correto capaz de contradizê-las.

Esta posição contrária, é o resultado de experiências vividas num passado recente com hormônios estrogênios artificiais e sem a oposição da progesterona.

Vale ressaltar que estes estrogênios sintéticos artificiais já foram banidos das farmácias e não são mais empregados.

Mercado farmacêutico

O maior problema atual é que a maioria dos hormônios sexuais saíram de produção pelas indústrias farmacêuticas porque não vendiam bem, restaram apenas uma ou duas marcas para uso oral ou adesivos de uso na pele, injetável não sobrou nenhum. A situação crítica hoje não é receitar, mas encontrar alguma marca ainda disponível.

Atualmente não existe dúvida sobre a validade da hormonioterapia de reposição para a mulher com sintomas de falência ovariana.

Acredito que com o aumento da expectativa de vida para as mulheres neste século, um número ainda maior delas viverá depois da menopausa e a hormonioterapia será uma prática obrigatória.

Riscos x benefícios

A biblioteca mundial coleciona um número infindável de trabalhos em revistas de vários centros de pesquisas mostrando que os riscos da substituição hormonal são irrelevantes se comparados com os benefícios que dela podem resultar.

É importante dizer que este tratamento deve ser sempre individualizado para afastar qualquer possível prejuízo.

O mais interessante a se observar é que o uso de outros hormônios utilizados para tratar a deficiência de outras glândulas são naturalmente aceitos sem contestações.

Você mesmo cara leitora, conhece mulheres que usam hormônio da glândula tireoide para tratar o hipotireoidismo ou a insulina para tratar o diabete.

Em meio século de prática da medicina receitei tiroxina e insulina todos os dias e nunca alguém questionou.

Até a próxima semana,

Paulo Timóteo Fonseca – Médico

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.