Atitude & Saúde

Qualidade de vida: é possível durante a pandemia?

Chegamos à metade do ano e ainda vivemos um cenário de incertezas e questionamentos. Até quando essa guerra invisível vai durar? Angústia, tristeza e desânimo causados pelo isolamento social não podem atrapalhar nossa qualidade de vida. Mas afinal, o que é qualidade de vida? É possível vivenciá-la durante a pandemia?

como ter qualidade de vida

Crédito: Pixabay

Não existe uma definição universal para o que seja Qualidade de vida (QV). Até antes do início da pandemia, a QV estava, para muitos, relacionada a bens materiais, dinheiro, luxo e ostentação e diretamente ligada a “tal” felicidade.

No entanto, com o início do isolamento social e suas privações, a percepção daquilo que é qualidade de vida e por consequência a felicidade, tem mudado para muitos.

O que é Qualidade de vida?

Qualidade de vida pode ser definida como uma sensação íntima e individual de conforto, bem-estar ou felicidade no desempenho de funções físicas, intelectuais e psíquicas dentro do ambiente da família, do trabalho e dos valores da comunidade a qual um indivíduo pertence.

Os seis domínios da Qualidade de Vida segundo a OMS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define Qualidade de Vida como a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e nos sistemas de valores e em relação aos objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

A avaliação proposta pela OMS engloba saúde física, estado psicológico, nível de independência, relações sociais, crenças pessoais e relação com as características do meio ambiente.  

São então avaliados os seis domínios:

1) físico

2) psicológico

3) independência

4) relações sociais

5) meio ambiente

6) espiritualidade/crenças pessoais.

Qualidade de vida e promoção da saúde

Entretanto, para muitos autores, qualidade de vida tem, na promoção da saúde física e mental, seu foco mais relevante, o que parece ser verdadeiro; como também é verdadeira a relação entre atividade física e promoção de saúde.

Deduzimos que pessoas em bom estado de saúde têm qualidade de vida, principalmente quando lembramos ou imaginamos pessoas doentes e com sofrimentos.

A Qualidade de Vida exige um padrão mínimo que diz respeito às necessidades básicas como alimentação, acesso a água potável, habitação, trabalho, educação, saúde e lazer; elementos de conforto, bem-estar e realização individual e coletiva. Desemprego, exclusão social e violência, são negações da qualidade de vida.

Qualidade de vida x pandemia e a “tal” felicidade…

Quando consideramos as condições de vida em situação de pandemia, a qualidade de vida fica muito prejudicada. Isso porque, para muitos, pandemia resulta em desemprego, afastamento social, sedentarismo, doença física e mental, sofrimento e morte.

Me chama a atenção da QV ser percepção e estar relacionada a felicidade. Pessoas com todas as necessidades atendidas podem estar tristes, enquanto pessoas em situação de miséria podem se sentir felizes.

Podemos ser felizes por opção, por exemplo, ao ver o copo meio cheio ao invés de meio vazio. Temos que ser resilientes, ocupar-nos com o que pode ser feito ao invés de preocupar-nos com o que não pode.

É preciso focarmos no aspecto psicológico e na espiritualidade citados pela OMS, mesmo estando confinados e distanciados de relações sociais.

O momento que vivemos é difícil, mas temos que aceitar e nos adaptar. O uso da tecnologia disponível pode ser um caminho.

O trabalho em Home Office tem se mostrado conveniente e talvez permaneça para muitos. Sabe a visão do copo meio cheio? O Home Office tem poupado muitas pessoas de perderem horas nos deslocamentos casa-trabalho-caso. Isso é qualidade de vida!

Os meios de comunicação permitem estarmos ligados apesar da distância. Exercícios físicos podem ser feitos em casa. Podemos até pensar em corridas e caminhadas em locais externos, respeitando as medidas de segurança.

E o principal, devemos aprender com a pandemia. Não sabemos o que poderá acontecer. Poderemos ter dinheiro sem ter como e o que gastar. Bom seria aprender a ser feliz mesmo com roupas, atitudes e hábitos simples.

Aí deve estar a verdadeira qualidade de vida.

João Carlos Dias – PhD em Fisiologia do Exercício

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.